Improvável é você não rir.

Para quem não conhece, Improvável é um espetáculo criado pela Cia. Barbixas de Humor baseado em improvisações e tem bastante influência do espetáculo inglês e estadunidense "Whose Line is it Anyway?"
O espetáculo já contou com muitas participações especiais, como Rafinha Bastos, Marco Luque, Marcela Leal e outros comediantes da televisão e teatro brasileiro.


Com um pouco mais de um ano de "vida", o espetáculo se tornou uma febre nos sites de vídeos, como YouTube.

Aqui está um vídeo que achei muito engraçado, chama-se Jogo das Frases. Confira e divirta-se:



"Creio no riso e nas lágrimas como antídotos contra o ódio e o terror."
Charles Chaplin

Pra deixar muito macho com inveja...

Dentre as várias notícias bizarras que nos deparamos diariamente, tenho que admitir que tive um acesso de riso após ler esta:

"Um agricultor peruano passou por uma cirurgia após ter uma ereção de oito dias, afirmou um médico em um hospital da cidade de Sullana."

Isso mesmo meus caros leitores, 8 dias! Hahahaha! E você que achava que acordar com o "membro erijecido" (vulgo pau duro) já incomodava, imagina ficar 8 dias! Só acertando a parede do banheiro!

Ah, detalhe: o cirurgião Nelson Carrasco (O.o), afirmou que o homem de 53 anos não havia tomado nenhum estimulante sexual!

"O médico acrescentou que o paciente, cuja identidade não foi revelada, sofreu de priapismo, ereção persistente do pênis, que muitas vezes acontece devido a um coágulo sanguíneo no tecido erétil."
"Nós estamos investigando a causa do priapismo, pois, se não encontrarmos uma solução, poderia acontecer novamente", disse Carrasco.

Sei que rir da desgraça alheia é sacanagem, mas essa eu não resisti! Imagina a situação do camarada, além de ficar mais de uma semana com a barraca armada, na hora que chega pra resolver o problema depara com um médico de sobrenome Carrasco! Hahahaha!

Imagem da cirurgia (Foto: Martin Bureau/AFP)

Como diz o velho ditado: Antes ele do que eu!

Poeminha pra semana santa.

Só para completar e sintetizar o post anterior, deixo aqui um poema de Alberto Caeiro, um dos heteronômios do gênio Fernando Pessoa:

Num Meio-Dia de Fim de Primavera

Num meio-dia de fim de primavera
Tive um sonho como uma fotografia.
Vi Jesus Cristo descer à terra.
Veio pela encosta de um monte
Tornado outra vez menino,
A correr e a rolar-se pela erva
E a arrancar flores para as deitar fora
E a rir de modo a ouvir-se de longe.

Tinha fugido do céu.
Era nosso demais para fingir
De segunda pessoa da Trindade.
No céu era tudo falso, tudo em desacordo
Com flores e árvores e pedras.
No céu tinha que estar sempre sério
E de vez em quando de se tornar outra vez homem
E subir para a cruz, e estar sempre a morrer
Com uma coroa toda à roda de espinhos
E os pés espetados por um prego com cabeça,
E até com um trapo à roda da cintura
Como os pretos nas ilustrações.
Nem sequer o deixavam ter pai e mãe
Como as outras crianças.
O seu pai era duas pessoas
Um velho chamado José, que era carpinteiro,
E que não era pai dele;
E o outro pai era uma pomba estúpida,
A única pomba feia do mundo
Porque não era do mundo nem era pomba.
E a sua mãe não tinha amado antes de o ter.

Não era mulher: era uma mala
Em que ele tinha vindo do céu.
E queriam que ele, que só nascera da mãe,
E nunca tivera pai para amar com respeito,
Pregasse a bondade e a justiça!

Um dia que Deus estava a dormir
E o Espírito Santo andava a voar,
Ele foi à caixa dos milagres e roubou três.
Com o primeiro fez que ninguém soubesse que ele tinha fugido.
Com o segundo criou-se eternamente humano e menino.
Com o terceiro criou um Cristo eternamente na cruz
E deixou-o pregado na cruz que há no céu
E serve de modelo às outras.
Depois fugiu para o sol
E desceu pelo primeiro raio que apanhou.

Hoje vive na minha aldeia comigo.
É uma criança bonita de riso e natural.
Limpa o nariz ao braço direito,
Chapinha nas poças de água,
Colhe as flores e gosta delas e esquece-as.
Atira pedras aos burros,
Rouba a fruta dos pomares
E foge a chorar e a gritar dos cães.
E, porque sabe que elas não gostam
E que toda a gente acha graça,
Corre atrás das raparigas pelas estradas
Que vão em ranchos pela estradas
com as bilhas às cabeças
E levanta-lhes as saias.

A mim ensinou-me tudo.
Ensinou-me a olhar para as coisas.
Aponta-me todas as coisas que há nas flores.
Mostra-me como as pedras são engraçadas
Quando a gente as tem na mão
E olha devagar para elas.

Diz-me muito mal de Deus.
Diz que ele é um velho estúpido e doente,
Sempre a escarrar no chão
E a dizer indecências.
A Virgem Maria leva as tardes da eternidade a fazer meia.
E o Espírito Santo coça-se com o bico
E empoleira-se nas cadeiras e suja-as.
Tudo no céu é estúpido como a Igreja Católica.
Diz-me que Deus não percebe nada
Das coisas que criou —
"Se é que ele as criou, do que duvido" —
"Ele diz, por exemplo, que os seres cantam a sua glória,
Mas os seres não cantam nada.
Se cantassem seriam cantores.
Os seres existem e mais nada,
E por isso se chamam seres."
E depois, cansados de dizer mal de Deus,
O Menino Jesus adormece nos meus braços
e eu levo-o ao colo para casa.

Ele mora comigo na minha casa a meio do outeiro.
Ele é a Eterna Criança, o deus que faltava.
Ele é o humano que é natural,
Ele é o divino que sorri e que brinca.
E por isso é que eu sei com toda a certeza
Que ele é o Menino Jesus verdadeiro.

E a criança tão humana que é divina
É esta minha quotidiana vida de poeta,
E é porque ele anda sempre comigo que eu sou poeta sempre,
E que o meu mínimo olhar
Me enche de sensação,
E o mais pequeno som, seja do que for,
Parece falar comigo.

A Criança Nova que habita onde vivo
Dá-me uma mão a mim
E a outra a tudo que existe
E assim vamos os três pelo caminho que houver,
Saltando e cantando e rindo
E gozando o nosso segredo comum
Que é o de saber por toda a parte
Que não há mistério no mundo
E que tudo vale a pena.

A Criança Eterna acompanha-me sempre.
A direção do meu olhar é o seu dedo apontando.
O meu ouvido atento alegremente a todos os sons
São as cócegas que ele me faz, brincando, nas orelhas.

Damo-nos tão bem um com o outro
Na companhia de tudo
Que nunca pensamos um no outro,
Mas vivemos juntos e dois
Com um acordo íntimo
Como a mão direita e a esquerda.

Ao anoitecer brincamos as cinco pedrinhas
No degrau da porta de casa,
Graves como convém a um deus e a um poeta,
E como se cada pedra
Fosse todo um universo
E fosse por isso um grande perigo para ela
Deixá-la cair no chão.

Depois eu conto-lhe histórias das coisas só dos homens
E ele sorri, porque tudo é incrível.
Ri dos reis e dos que não são reis,
E tem pena de ouvir falar das guerras,
E dos comércios, e dos navios
Que ficam fumo no ar dos altos-mares.
Porque ele sabe que tudo isso falta àquela verdade
Que uma flor tem ao florescer
E que anda com a luz do sol
A variar os montes e os vales,
E a fazer doer nos olhos os muros caiados.

Depois ele adormece e eu deito-o.
Levo-o ao colo para dentro de casa
E deito-o, despindo-o lentamente
E como seguindo um ritual muito limpo
E todo materno até ele estar nu.

Ele dorme dentro da minha alma
E às vezes acorda de noite
E brinca com os meus sonhos.
Vira uns de pernas para o ar,
Põe uns em cima dos outros
E bate as palmas sozinho
Sorrindo para o meu sono.

Quando eu morrer, filhinho,
Seja eu a criança, o mais pequeno.
Pega-me tu ao colo
E leva-me para dentro da tua casa.
Despe o meu ser cansado e humano
E deita-me na tua cama.
E conta-me histórias, caso eu acorde,
Para eu tornar a adormecer.
E dá-me sonhos teus para eu brincar
Até que nasça qualquer dia
Que tu sabes qual é.

Esta é a história do meu Menino Jesus.
Por que razão que se perceba
Não há de ser ela mais verdadeira
Que tudo quanto os filósofos pensam
E tudo quanto as religiões ensinam?

Feliz Páscoa! Vida nova!

Mais um ano, mais uma Páscoa! O tempo da vida nova! Pela primeira vez sinto que entendi o significado desta belissíma data. Viva a vida! É hora de renascermos para o novo, para o espontâneo, para a luz, para a bondade e para a beleza!
Este ano decidi abandonar certos hábitos prejudiciais a minha vida. Chega, realmente preciso mudar.

Para começar resolvi deixar de ir à missa, a missa é só mais um evento social. Pessoas vestem suas roupinhas bonitas e vão para a igreja criticar uns aos outros e fingir que estão preocupadas em melhorar suas vidas. Não, eles não querem isso, ninguém quer. Mudança dá trabalho, incomoda, não estamos prontos pra isso. Afinal, o que eu faço na missa que não possa fazer em casa?

Resolvi também deixar de me confessar. Confissão pra quê? Tentar enganar a mim e ao padre que estou arrependido? Arrependido de quê? Arrependido de ser humano, de cometer erros, de odiar, de desejar o que é proibido? Não senhores, não me obriguem a negar a natureza humana. Não me obriguem a ficar preso no passado, o que está feito está feito e nenhum sentimento de culpa consertará isso.

Cansei de acreditar em paraíso. Chega de viver de ilusão. A vida é bela, mas não é justa, acostume-se com isso! Acreditar que existe um lugar perfeito é só uma forma de tentar fingir que o sofrimento, as guerras, a fome e a tragédia são só provações criadas por um velho barbudo e rabugento. Está na hora de construir o paraíso por aqui mesmo, chega de "venha a nós o vosso reino", chega de "seja feita a vossa vontade". É hora de satisfazer a nossa vontade e contruir nosso próprio reino.

Tudo o que restou foi o hoje, o agora. É tudo o que eu tenho e cabe a mim fazer com que ele valha alguma coisa. Brindemos a vida nova! Viva a Páscoa! Carpe Diem meus amigos!

"A própria palavra “cristianismo” é um mal-entendido – no fundo só existiu um cristão, e ele morreu na cruz. O “Evangelho” morreu na cruz. O que, desse momento em diante, chamou-se de “Evangelho” era exatamente o oposto do que ele viveu: “más novas”, um Dysangelium."
Friedrich Nietzsche em "O Anticristo"