Mais um ano, mais uma Páscoa! O tempo da vida nova! Pela primeira vez sinto que entendi o significado desta belissíma data. Viva a vida! É hora de renascermos para o novo, para o espontâneo, para a luz, para a bondade e para a beleza!
Este ano decidi abandonar certos hábitos prejudiciais a minha vida. Chega, realmente preciso mudar.
Para começar resolvi deixar de ir à missa, a missa é só mais um evento social. Pessoas vestem suas roupinhas bonitas e vão para a igreja criticar uns aos outros e fingir que estão preocupadas em melhorar suas vidas. Não, eles não querem isso, ninguém quer. Mudança dá trabalho, incomoda, não estamos prontos pra isso. Afinal, o que eu faço na missa que não possa fazer em casa?
Resolvi também deixar de me confessar. Confissão pra quê? Tentar enganar a mim e ao padre que estou arrependido? Arrependido de quê? Arrependido de ser humano, de cometer erros, de odiar, de desejar o que é proibido? Não senhores, não me obriguem a negar a natureza humana. Não me obriguem a ficar preso no passado, o que está feito está feito e nenhum sentimento de culpa consertará isso.
Cansei de acreditar em paraíso. Chega de viver de ilusão. A vida é bela, mas não é justa, acostume-se com isso! Acreditar que existe um lugar perfeito é só uma forma de tentar fingir que o sofrimento, as guerras, a fome e a tragédia são só provações criadas por um velho barbudo e rabugento. Está na hora de construir o paraíso por aqui mesmo, chega de "venha a nós o vosso reino", chega de "seja feita a vossa vontade". É hora de satisfazer a nossa vontade e contruir nosso próprio reino.
Tudo o que restou foi o hoje, o agora. É tudo o que eu tenho e cabe a mim fazer com que ele valha alguma coisa. Brindemos a vida nova! Viva a Páscoa!
Carpe Diem meus amigos!
"A própria palavra “cristianismo” é um mal-entendido – no fundo só existiu um cristão, e ele morreu na cruz. O “Evangelho” morreu na cruz. O que, desse momento em diante, chamou-se de “Evangelho” era exatamente o oposto do que ele viveu: “más novas”, um Dysangelium."
Friedrich Nietzsche em "O Anticristo"