O Governo Federal lançou na última quinta-feira (29/10) um espaço para consulta pública sobre a regulação da internet. O projeto Marco Civil da Internet objetiva ouvir vários seguimentos da sociedade brasileira para elaborar uma legislação que assegure aos usuários da internet seus direitos e obrigações, visando a construção de uma internet livre, segura e democrática.
Pelos próximos 45 dias o interessado em participar do projeto poderá enviar suas ideias e debater propostas elaboradas por outros internautas, através do fórum Cultura Digital, ou através do blog e twitter do programa. Terminada a primeira fase, será elaborado um anteprojeto de lei, que novamente será exposto à sociedade, durante mais 45 dias, para um novo debate sobre seus artigos, parágrafos e incisos, da mesma forma como foi feito na primeira fase.
Acredito que este projeto representa um grande avanço para a internet brasileira, pois, ao entrar em contato direto com a sociedade, além de tornar o processo legislativo mais democrático, o Estado saberá o que o brasileiro pensa e espera da internet.Já tivemos uma experiência nada agradável sobre legislação digital através do P.L.89/2003, que foi duramente criticado pela comunidade cibernética, pricipalmente pelos militantes do movimento Software Livre. A repulsa ao projeto de lei (inicialmente elaborado pelo Senador Eduardo Azeredo e posteriormente editada pelo Ministério da Justiça) ganhou tamanha proporção que recebeu o nome de "AI-5 da Internet". Embora eu acredite que o nome foi um tanto fantasioso, comparado ao real significado que o termo AI-5 representa na história do Brasil, é impossível negar que o projeto foi terrivelmente mal elaborado. O P.L. 83/2003 e seu substitutivo, visava estabelecer uma legislação para cuidar de crimes virtuais, tipificando condutas realizadas através de meio eletrônico. O problema é que o texto redigido usava termos tão imprecisos que terminava por enquadrar meros usuários de redes P2P como criminosos.
Diante do avanço da internet nos últimos tempos, parece evidente que, cedo ou tarde, a necessidade de criar uma legislção especial apareceria. Atualmente, o Direito encontra certas dificuldades ao deparar-se com questões relacionadas ao mundo virtual, principalmente em relação a responsabilidade civil dos provedores de internet. Todavia, a intervenção estatal na internet não deve ultrapassar os limites do necessário e, para estabelecer quais são estes limites, projetos como o Marco Civil são de extrema importância.
Em um país como o Brasil, que ainda dá seus primeiros passo na seara da inclusão digital, uma legislação que assegure o acesso, a privacidade e a liberdade de expressão na internet, construída à luz dos direitos individuais e coletivos presentes em nossa Constituição, representará um grande passo para a formação de um Estado Democrático de Direito sintonizado com os avanços tecnológicos da sociedade moderna.
P.S.: O projeto Marco Civil me fez lembrar o quanto é importante ter um espaço na internet para expressar nossas ideias, o que me motivou a voltar a escreve neste blog. Obrigado a todos que nos acompanham e, por favor, divulguem o projeto para que os interessados possam participar.
"IX - é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença;"
Constituição Federal, art. 5º.






